"Que apesar dos pesares conserva o bom-humor, caça nuvens nos ares, crê no bem e no amor."
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Silêncio das noites...

As noites são imensas 
de um eterno inverno 
com montanhas mudas
Os ventos são cortantes 
não carregam volúpia alguma  
trazem lembranças em suas asas algozes 
As noites tornaram-se torturantes
lutam entre nuvens de esperanças 
para que a aurora se faça vencida
O canto de pássaros na janela 
trazem um ramalhete da plenitude de uma espera 
O cansaço do silêncio é vencido... 
Aquecido pelas notas musicais, 
se debruça nos ponteiros do relógio,
adormece e sonha dias melhores.
Lene Soares

terça-feira, 28 de junho de 2011

Fotografias têm cheiro...


Saltou do retrato da minha infância cheiros de lembranças que jamais quero apagar!
Minha memória tem cheiros que me puxam pra dentro das fragrâncias do tempo...
Fecho os olhos e identifico os que me marcaram: Amoras vermelhas colhidas no quintal espremidas num pano branco, têm cheiro de primos. Goiabas maduras no pé têm cheiro de tios fazendo doce em tacho de cobre. Maçã embrulhada em papel  de seda roxo tem cheiro de avô vindo de São Paulo nos visitar. Livros, cadernos e lancheira têm cheiro de cuidado de mãe. Passeios à cavalo, museus, desenhos à mão livre, histórias/estórias, curiosidades... têm cheiro de pai . Carne assada com batatas coradas têm cheiro de família reunida aos domingos. Piquenique, acampamento,  praia e cachoeira têm cheiro de gargalhadas soltas de irmãs. Beijo, abraço, aperto de mão... tem cheiro das brincadeiras inocentes com os meninos da rua.  Diários, segredos e risos... têm cheiro de amigas. O primeiro sutiã tem cheiro de expectativas, ansiedades e sonhos.  Os sonhos têm cheiro de  vida, namoro, beijos, brigadeiros e bolo de casamento. Casamento tem cheiro de felicidade; e felicidade tem cheiro de filho.  Filho tem cheiro de colo, de passarinho que cresce e aprende a voar carregando um pedaço de si.  Abro os olhos e guardo com carinho e nostalgia os cheiros das lembranças.  Meu coração tem o cheiro de um retrato!
Lene Soares

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Flor da saudade...


A saudade bate em minha porta
vagueia em meus pensamentos
a distância me faz refém
aprisiona meu sorriso
querendo leva-lo cativo
lágrimas são gotas de orvalho
sangrando em meu peito
Quero voltar a ser flor
que se abre no entardecer
dos teus abraços
Quero a ternura do teu sorriso 
acalentando minha alma
Quero a doçura do teu olhar  
trazendo o frescor  do novo dia
Saudade...
a porta está aberta, 
mas não impeça que eu seja flor!
Lene Soares

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sonho real...

Foi sonho e foi realidade
Vestiu-me de amor e despiu-me em saudade
Desapareceu escurecendo sonhos 
Cega é a realidade que tateia lembranças...
Sentimentos apalpados não respondem ao toque de sonhos adormecidos
Tento esquecer sonho e realidade...
Mas na sombra dos meus olhos, ainda vejo clarões das luas de Maio
Bebo o doce e o amargo da agonia de te esquecer!
Lene Soares

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Saudade...






E de repente o silêncio.
É um silêncio profundo de ausência

que atravessa a noite em versos
Busco teu gosto de mar
 numa vontade nua...
Arde o peito em brasas, saudade!
Será que pensa em mim?
Lembranças de beijos de mar em lua 
Hoje a noite canta triste, nua, e cinza
Sabor do sal imita o mar na lágrima que o vento traz...
Saudade adormece em meu peito... 
sonhando com a música da tua voz. 
Lene Soares

sábado, 28 de maio de 2011

A Espera...

Mel era o gosto dos teus beijos
favos teus abraços
Zangão e Rainha
em versos encantados
Letra e Poesia
uma só paisagem estampada na tela
sombras vivas em pintura íntima
traços abstratos pintam o retrado da espera
  ponteiros do destino se apressam
até que o amanhã seja agora
...ou nunca!
Lene Soares

terça-feira, 24 de maio de 2011

Choveu

A música me acalma em meio as tempestades... 
me faz chuva mansa no telhado, leve, molha e 
lava meu quintal. Me atravessa em espaços de 
estrelas tristes escondidas, varre folhas secas e cacos. 
Abre minhas janelas, e deixa o sol entrar. 
Lene Soares

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Encontro de poemas

Juntos formaram uma bela poesia
Ali exprimidos no curto espaço de tempo
Encarando selva de pedras, corajosos e destemidos
Enganavam as horas sem muitas palavras, apenas sentimentos
Atravessaram a cidade em meio às sombras das montanhas
Montanhas de pedras, que se perdiam quase no além dos olhos
O silêncio era um barulho pontuado de gente, de carros e buzinas
No peito carregavam uma quietude inflamada de desejos
Gestos de carinhos concentrados em lembranças de páginas carmim
donde escorriam poemas em êxtases
E ali, nos corredores da selva, bem na curva, leves como a pluma
Em sintonia, sorriram feito vôo de pássaros livres
E pousaram 
E pausaram
E tudo se transformou em mistério e medo
Medo de ir e ficar perpetuamente em torno de si...
Ficaram as lembranças de beijos úmidos, abraçados a poemas em êxtases...
Num jeito bom de acolher, de ninar, e de guardar eternamente na memória.
Lene Soares

segunda-feira, 28 de março de 2011

Som do Vento





Sim! Eu conheço o som 
do vento que me acompanha
Reconheço-o principalmente 
nos silêncios das noites mal dormidas
Como um Prélude de Bach
ecoa em meus pensamentos 
Acalma meus sonhos
lava minha alma 
Sinto-me leve outra vez 
Como areia lavada pelo beijo 
de espumas brancas do mar
Sinto minha face beijada pelo som do vento. 

Lene Soares

Teus olhos


Teus olhos fixos em mim
transparentes, apesar de negros
Vejo vidas...
A minha
A sua
A nossa...
Memórias expostas
de um passado presente,
e de um futuro distante...
Desejos engolidos pelo tempo
lutando, tentando quebrar 
a névoa das amarras... 
Gritos sufocados seguram 
minhas mãos e segredam palavras... 
Me vejo no profundo deste olhar
Sensações envolvem e despertam o amor que há mim...
É a primeira vez que vejo olhares que se beijam, 
e ardem entrelaçados num só...
Na transparência dos teus olhos
vejo minha resposta... 
Sim amor, quero teus olhos fixos... eternos em mim! 

Lene Soares

Devolva-me!



Ando procurando me encontrar
Por onde andei? Pois, em algum momento me perdi...
Onde andas pedaço de mim?
Se tu souberes, devolva-me agora!
Não me escondas em silêncio e clausura
Silencias teus quereres
Os meus não!
Onde anda minhas pressas, sonhos e festas?
Como saber onde estás

Se nesta espera do encontro
Nada se encontra faltando um pedaço de mim.
Lene Soares

quarta-feira, 9 de março de 2011

Senhora Poesia


Vivo porque a poesia vive em mim
E seus versos me abraçam logo pela manhã
Tudo ao meu redor transpira poesia
Reflexos do dia entram alegres pela janela do meu quarto
E beijam minha face com doçura
Depois, correm pela casa como crianças em dias festivos
Tudo fica iluminado
- passarinhos gorjeiam em um coro afinado, alegre
- enquanto que borboletas dançam ao som do jazz de cada dia
- todos dançam, na verdade!
A cantoria nunca cessa 
Apenas ao anoitecer, adormecemos todos embalados pelo blues
- um poético amigo do jazz, que já faz parte da família
A poesia é senhora dos meus dias
E seus versos, hão sempre de gotejar em mim
Feito chuva fresca em terra árida, formando desenhos  
iguais aos acordes de uma linda canção.
Lene Soares

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O lamento

Já não te vejo bem... Você existe?
Dizem que existe, aí, em algum lugar...
Será que devo alimentar mais um sonho que um outro se desfez?!
Vultos? Ventos? Pôr do sol? Mar? Estrelas? 
Será que vem? Será que vejo? Será que sinto?
-Não sei se me vês assim também, amor... Agarrada à uma tal esperança...
-Cego está quem? Eu ou você?
Será um fantasma de amor que vive assombrando este pobre coração?
Estarei condenada à solidão?
-Não sei, amor! 
Tem dias que és tudo que mais quero... 
Em outros, tão cansada, és um simples nada! Chego a odiá-lo!
És o vulto da esperança que passa nos dias que já são breves e beija a minha boca...
Mas há dias que adormeces em meu peito como pedra, e, me amarga a boca como fel... 
Em outros, estás tão vivo que me arde em tudo como brasas...e a boca quase que escorre em mel...
És aquele que vive e que morre em mim sem nenhuma piedade...
Sou a mulher e a viúva daquele que nem sequer conheceu
Hoje é daqueles dias que me aperta o peito como pedra...
Ai meu Deus! Que tormento este meu lamento...
Lene Soares